
Eu, Sentimentalóide, Sucesso ou Pai da Idéia?
Karina Perri
Hoje estava vindo para o trabalho em uma manhã típica de São Paulo, fria, chuviscando, excesso de carro, e eu ouvindo rádio. Não quero fazer propaganda, mas gosto de ouvir as rádios que “tocam notícias”, porém sou fã do Primeiro Programa, então vou zapeando as estações programadas em meu rádio e de repente escuto a voz do Alexandre Pelegi lendo um artigo, creio eu, que chamou minha atenção quando ele dizia que “tudo que carrega forte dose de sentimento é babaca, sentimentalóide, feminino. O que é baseado na emoção, que provoca lágrimas, isso é coisa de maricas ou então, coisa de mãe! Sucesso, já deu pra perceber, é coisa pra macho!...”.
Ele continuo lendo e eu comecei a pensar, viajar, me senti aquele personagem do desenho animado (O Fantástico Mundo de Bob), eu naquele momento era o Bob, conforme ele lia o texto eu imaginava. Eu sou mulher, mas sou mulher sentimentalóide ou uma mulher macho de sucesso? Ou encarno mais o papel de “pai da idéia”, egoísta, machista e narcisista com a visão que o mundo prega, vive e eu assimilei, eu era o Bob e ponto.
Sou consultora de RH, com formação em Pedagogia, atuo em RH há mais de dez anos e essa frase do Pelegi, fez eu pensar em “Pessoas”, “Competências”, “Talentos” e claro, “RH em seu todo”.
Quantas vezes entrei e adentro em uma empresa que é fria com as pessoas, (os clientes, os funcionários) infinitas vezes os funcionários são educados, ou até mesmo deseducados, mas falta algo. Enquanto fico sentada na recepção, na sala de reunião, vou analisando as pessoas que me atendem, objetos, higiene, comportamento, o falar ao telefone... Em muitos casos as obras de artes são lindas, às vezes de artistas famosos, da moda; outras vezes nem existem, os arranjos florais são impecáveis, em outras situações há flores de plástico ou não há flores, (o que demonstra um certo descaso, uma falta de ligação com o ser humano), e por aí vai, mas tendo ou não uma obra de arte, um belo arranjo de flores ou um belo quadro; a arte mais importante é a “pessoa'” em si, cada pessoa é um artista e único, assim como seu DNA. Por outro lado, também há empresas que são um lixo (não porque está em crise financeira e sim porque não é bem limpa, não é bem cuidada), sem flores, sem bala, com café de baixa qualidade, água não potável ou então daqueles garrafões que a gente usa em casa, porém na empresa o garrafão está surrado, feio, sujo (parece que nem limpam, não lavam o coitado quando colocam no bebedouro), me entende? Tudo isso refleti nas pessoas e por esse caminho podemos ir bem mais longe. Podemos pensar no produto que fabricam, no atendimento que dão aos clientes internos e externos. Mas quem se preocupa com isso? O RH? Deveria, pois isso implica em muitas coisas e acaba refletindo no desenvolvimento das pessoas, na qualidade do produto final. Aposto que você tem milhões de exemplos e experiências desse sintoma, como funcionário e como consumidor.
Quem não gosta de trabalhar em um ambiente amigável, prazeroso, feliz, animado, repleto de empatia, educação, bons modos. Tudo isso está associado à “sentimento”, e digo sentimento em todos os sentidos. Sem sentimento que graça tem ter “Sucesso”? Ser o “Pai da Idéia”?
Infelizmente Pelegi tem razão, hoje vivemos num mundo (familiar, empresarial), que impede a gente de demonstrar nossos sentimentos. Chorar é sinônimo de fracasso, pessoa fraca que não agüenta levar a vida, não dá conta dos problemas, ou então é marica, ou está em depressão e precisa de prozac. Quem já não ouviu isso? Quem já não fez esse comentário que atire a primeira pedra.
Hoje vivemos a era da “não aceitação do sofrimento”, coisa estranha. Todo mundo sofreu, sofre ou vai sofrer um dia. Há pais hoje que fazem o impossível para não ver seus filhos sofrerem e esquecem que um pouco de sofrimento pode ser uma boa lição para a vida como diz, Dalai Lama. Precisamos aprender a lidar com isso, nós pessoas, nós empresas. A mesma coisa acontece com a frustração, Freud dizia ”a frustração é estruturante”.
Falta menos de um mês para iniciar a Copa do Mundo e já podemos ver o desespero das pessoas; o êxtase de muitos cidadãos; as empresas se organizando para que seus funcionários possam assistir aos jogos, torcerem, fazer barulho e se divertirem; os postos de gasolinas enfeitados com fitas laminadas verde e dourada; a tabela de jogos nos quadros de avisos das escolas, dos RH`s, dentro de nossas casas; os pessimistas não acreditando no Brasil que já é “Penta” e que tem os Ronaldos, o Kaka, o Roberto Carlos...; os apaixonados se programando para saber onde irão assistir aos jogos, o que vão comer, como vão comemorar; os otimistas fazendo bolão na vinda do “HEXA”. Para nós brasileiros futebol é tudo, Copa do Mundo então é uma celebração religiosa, São Paulo pára, a Avenida Paulista fica vazia, mas o que é Copa do Mundo se não, sentimento, sucesso, frustração, talento, desenvolvimento, esforço, coragem, amor, doação, vida, saúde, dor, energia, estratégia, estudo, sorte, gestão de pessoas, trabalho em equipe, vida.
E agora pergunto a você: - Como ficam as pessoas, o ser humano, o Homo Sapiens? Como ficam as pessoas que trabalham em empresas, lojinhas de bairro, feiras, sacolões, oficinas mecânicas, professores, escolas, baladas, dentistas, hospitais, médicos, pais, filhos, produtores, o RH, o seu RH, diante dos fatores que o mundo julga como certo e errado?
Como você faz para desenvolver os talentos de sua empresa, nesse caso?
A realidade é uma só. Devemos assumir nossas dores, nossas alegrias, nossas frustrações, nossas angústias, nossos medos, nossa coragem, nossa empatia, nossa vontade de ajudar o próximo, nosso sorriso, nossas lágrimas, nossos dogmas e fazer de nossa vida algo especial, repleto de amor, sonhos, ternura, realizações, doações.
E aí diante dessa reflexão, como estão as suas metacompetências? E as da sua empresa? As do seu gestor? As da Seleção Brasileira de Futebol?
Vale a pena refletir, chegar a uma conclusão e vive-la. Lute por você! Lute pelas pessoas que você ama e que fazem diferença em seu mundo. Valorize suas amizades, coloque um vaso de violeta sobre a sua mesa, um botão de rosa; deixe um pote de balas na recepção; sorria; seja solicito; demonstre empatia; desenvolva suas competências; mostre seus talentos; faça a diferença; diga “eu te amo” para as pessoas que você realmente ama com freqüência, seja, namorado, marido, filhos, amigos, demonstre.
Um dia você entenderá o que tudo isso significou para você, para as pessoas que estavam ao seu lado e o porque as empresas estão atrás de você hoje. Acredite.
Seja Feliz! Ame Sempre!
karina.perri@gdtbrasil.com.br