RH - A alma de uma empresa
João Beserra da Silva
Muito pouco do seu precioso tempo ser-lhes-á tomado. Seria pretensão nossa "ensinar o vigário a celebrar a missa". Ou como vigário ditar cátedra aos papas de RH. Entretanto, sempre se pode aprender algo mais com outrem. A sabedoria da vida, dia-a-dia, coloca-nos diante de situações de aprendizado. A cada momento a natureza apresenta-nos lições sábias sobre o mesmo assunto, por ângulos diferentes daqueles que habitualmente costumamos olhar.
Nada temos para passar-lhes dentro do campo específico de RH; coloquem, todavia, de lado tudo quanto sabem de sua profissão para entregarem-se livremente à seguinte reflexão.
A empresa, qualquer que seja o seu tipo, gênero e tamanho, é um organismo vivo. Como tal necessita estar em desenvolvimento, movimentando-se constantemente para o seu objetivo. Assim como no organismo do corpo humano toda célula, por menor que seja, tem uma função; no organismo empresarial cada setor, igualmente. A empresa compõe-se de partes - pessoas, funções, seções, divisões, gerências e diretorias.
As células, os sentidos, os órgãos e os sistemas do corpo precisam da harmonia entre si para que o todo alcance a sua finalidade - a vida, com saúde. O que mantém um corpo vivo? Quais as energias necessárias ao mesmo? Por que comemos, bebemos, respiramos, movimentamo-nos e repousamos? Qual a função do sangue, do oxigênio, dos hormônios, das vitaminas e da circulação?
Reflitam, por analogia, sobre essa relação na empresa. O corpo tem cabeça, tronco, membros, órgãos, sentidos e sistemas, como já expresso. A empresa, também. Houve tempo em nossa vida, na década de 60, como gerente de multinacional francesa, pensávamos que o setor financeiro de cada organização fosse o mais importante. Sem recursos, como a empresa alimentaria o seu crescimento e manter-se-ia viva?
Naquela mesma década, por volta de 1967, o grupo incumbiu-nos para gerenciar as vendas. Concluímos que essa divisão era o carro-chefe, a locomotiva que a impulsionava. Sem vendas, como manter o caixa positivo para os recursos financeiros para a aquisição de matérias-primas, para pagar a folha-de-pagamento, os impostos e realizar investimentos?
Na década de 80, sempre na área de vendas em todo o território nacional, em outro grupo muito forte, tivemos ensejo de conhecer o setor fabril diretamente e a área de Recursos Humanos. Em reuniões constantes com o pessoal de vendas, com os grupos de CCQ e mais diretamente com a área de treinamento ficou claro para nós de que a empresa realmente é esse maravilhoso organismo, que carece manter-se vivo, pulsando, ativo, em movimento, com prosperidade.
A cabeça do corpo chamado empresa é a diretoria. Do mesmo modo como o cérebro que se situa na cabeça só pode funcionar bem com sangue oxigenado, a diretoria necessita do oxigênio gerado pelos setores fabris, de produção, mercadológico e financeiro. O oxigênio pela mistura vivificadora do sangue vem da harmonia entre produção, vendas e administração - verdadeiro coração da empresa. Os braços, as mãos, as pernas e a voz são o corpo de vendedores, representantes, distribuidores, relações públicas, telemarketing, assessoria de imprensa, propaganda e publicidade.
Como viver sem ar, em atmosfera poluída? A divisão de RH está incumbida da preservação dos recursos indispensáveis para que a atmosfera da empresa seja a melhor possível. O sangue será nocivo ao corpo sem oxigênio.
Aos executivos de RH está reservada a majestosa tarefa de zelar de forma diligente para que seja abundante o oxigênio do entusiasmo, da alegria, da boa vontade, da dedicação, da responsabilidade e do interesse pela qualidade de vida. Enfim, pela harmonia, pela motivação, por espírito sinergético e pelo sentimento de utilidade do serviço de cada um. Assim a empresa está livre da epidemia do desânimo, do vírus da incerteza e da irritabilidade.
Essa é a missão do RH, como nossa em conclamá-los a pensar sobre este indispensável fator de sucesso nas relações internas de uma empresa. Por esse processo ela está viva, respirando, pulsando, com oxigênio e sangue, com os sistemas respiratório e circulatório em pleno funcionamento, sob a supervisão eficiente e eficaz da cabeça - a diretoria.
Porém, faltam-lhe coração e alma. Onde está a vida do corpo? Quem o mantém vivo? E a empresa? Em ambos é a alma, ou o coração, se vocês descrerem da sua existência por ser ela invisível.
Quem é a alma da empresa?
É a divisão de RH. Desde que a expressão "recursos" ultrapasse os limites do seu próprio nome. Que seja fonte viva de recursos reais e necessários, como treinamentos motivadores que ofereçam a todos o verdadeiro significado de missão, de visão, de valores e de objetivo, com o desenvolvimento humano. Que criem, estabeleçam e implementem programas para que perdurem o entusiasmo em cada uma das células individuais e coletivas da empresa.
Concluindo, senhores, almejamos que entendam esta mensagem. E que, pelo seu entendimento, percebam quão valiosa é a sua missão, como alma de um organismo vivo, a empresa.
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