ARTIGOS » Empresa e família

Olá!

Acho que ainda estou motivado pelo clima familiar dos eventos do final de semana para a criação deste artigo. Meu grande vício é observar o comportamento das pessoas e tentar compreender como isso impacta os aspectos econômicos e empresariais, sobretudo no caso das estratégias de carreira, para depois poder compartilhar. Assim que meu burrinho parará de usar protetor solar cinquenta e puder ir para sombra, devo dedicar um tempo à faculdade de antropologia para entender de uma vez por todas como está coisa chamada homo-sapiens funciona. Mas, voltemos ao tema família.

Quando vejo a descrição das empresas que aparecem na lista dos melhores lugares para se trabalhar, é lugar comum encontrar a frase “Aqui nos sentimos como uma família”. Obviamente esta frase é dita de maneira positiva como se fosse um tipo de elogio. Observando as empresas que se comportam como famílias, mesmo não sendo familiares, começo a perceber o quão danoso este processo pode ser, veja alguns exemplos:

Em uma família os laços afetivos descrevem claramente o protocolo de comunicação e envolvimento. Se dois fulanos não se gostam, eles pouco se falam e isso é notado por todos criando o famoso “climão” dos almoços. Em uma empresa, precisamos trabalhar juntos porque somos profissionais e mais do que isto, somos pagos para tanto, logo, gostar ou não da outra pessoa é absolutamente irrelevante. Todavia, poucas são as pessoas que conseguem bons resultados sem amigos em volta.

Outro aspecto interessante: Pessoas são diferentes e, portanto, devem ser tratadas de formas diferentes, certo? Tente fazer isso em uma família para ver o que acontece. Faça distinção de presentes ou mimos de acordo com o desempenho dos membros da família. Você provavelmente acabará com a cabeça dentro da travessa de lasanha no almoço de domingo!

Para concluir, empresas vivem a base de processos e cadeias de compromissos. Você delega uma missão e uma vez concluída, avalia os resultados. Em família acontece o que chamo de “terceirizar a ansiedade”, quando uma pessoa está ansiosa para saber notícias, para o cumprimento de um horário ou até mesmo para a chegada de uma visita, espalha essa ansiedade para todos na casa, deixando de lado o conceito de compromisso.

Empresas são empresas e famílias são famílias. Não vejo com bons olhos misturar as formas de gestão das duas. Da próxima vez que ouvir alguém dizer, “você vai gostar de trabalhar aqui, somos como uma família!”, você já tem como julgar.